INTRODUÇÃO
Política, conhecimento e escolhas na era da inteligência artificial
Vivemos uma transformação que talvez ainda não tenhamos compreendido por inteiro. A tecnologia deixou de ser algo restrito a laboratórios, universidades ou grandes empresas. Ela entrou definitivamente na vida cotidiana.
Hoje, antes de comprar uma televisão, escolher um celular, comparar dois automóveis ou até decidir qual cafeteira levar para casa, milhões de pessoas recorrem à internet e, cada vez mais, à inteligência artificial. Perguntamos ao Google, comparamos preços, lemos avaliações e abrimos o ChatGPT para pedir ajuda.
É curioso pensar que utilizamos tanta informação para escolher uma cafeteira, mas muitas vezes dedicamos poucos minutos para conhecer profundamente alguém que pretende participar das decisões políticas do país.
A modernidade nos oferece algo extraordinário: a possibilidade de pesquisar. Não é mais necessário conhecer uma pessoa apenas pela propaganda eleitoral, pelo santinho, pelo programa de televisão ou pelo vídeo de alguns segundos nas redes sociais. É possível pesquisar sua formação, sua trajetória profissional, suas experiências, suas ideias e aquilo que escreveu ou defendeu ao longo da vida.
Sou geógrafo e construí minha formação acadêmica estudando também Gestão Pública, Cidades Inteligentes, Gestão Ambiental, Políticas Públicas e Educação. Minha experiência profissional passou pela iniciativa privada, pela educação e pela administração pública. Trabalhei em empresa multinacional, na qual cheguei aos cargos de gerente e diretor de expansão; fui professor; atuei no Legislativo e no Executivo municipal; e atualmente trabalho com estratégia, gestão, planejamento, indicadores, sistemas e expansão no setor de alimentos.
Essa trajetória me levou a uma conclusão: o Brasil não sofre apenas com falta de dinheiro. Sofre também com estruturas ruins, excesso de burocracia, fragmentação administrativa e dificuldade para transformar conhecimento em produtividade.
Este livro apresenta algumas ideias a respeito desses problemas. Não pretende oferecer respostas definitivas. Pretende colocar propostas concretas em discussão.
1. UMA CAMPANHA DE IDEIAS
Uma candidatura modesta, com espaço para propostas
Minha campanha para deputado federal em 2026 parte de uma realidade diferente daquela encontrada nas grandes estruturas eleitorais. O planejamento é realizar uma campanha modesta, com recursos muito inferiores aos disponíveis para candidaturas tradicionais.
Menos material, menos estrutura e menos exposição são limitações reais. Mas existe uma possibilidade que vinte anos atrás praticamente não existia: ideias podem circular sem depender exclusivamente do dinheiro. Um texto pode ser compartilhado, uma entrevista pode ser assistida de qualquer lugar e um projeto pode ser discutido por milhares de pessoas.
É por isso que este livro existe: reunir ideias que considero importantes para Minas Gerais e para o Brasil e submetê-las ao debate público.
2. MINAS 100
É possível governar Minas com uma estrutura territorial diferente?
Minas Gerais possui 853 municípios. Isso significa 853 prefeituras, 853 prefeitos, 853 vice-prefeitos, 853 câmaras municipais e milhares de estruturas administrativas, secretarias, procuradorias, controladorias, gabinetes e cargos políticos.
A proposta Minas 100 é estudar uma reorganização territorial profunda do estado, integrando municípios pequenos e limítrofes, preservando identidades locais como distritos e formando administrações regionais mais fortes.
Não se trata de apagar cidades. Cidade é identidade, história, praça, comércio, família e memória. O que pode mudar é a estrutura política e administrativa que sustenta centenas de máquinas públicas separadas.
O número 100 é uma referência de planejamento, não uma divisão matemática rígida. A reorganização teria de considerar população, continuidade territorial, deslocamentos, rodovias, hospitais, universidades, economia, empregos, bacias hidrográficas e centralidades regionais.
3. MENOS ESTRUTURAS POLÍTICAS, MAIS SERVIÇOS
A economia precisa chegar ao cidadão
Uma reorganização territorial poderia reduzir de forma muito significativa a quantidade de estruturas políticas municipais. Em vez de centenas de prefeituras e câmaras pequenas, haveria administrações regionais mais robustas.
Como cenário indicativo, um desenho próximo de 100 municípios regionais poderia levar a algo próximo de mil vereadores, dependendo das regras de representação e população. A quantidade exata exigiria estudos constitucionais e demográficos.
O ponto central não é simplesmente retirar cargos. É definir onde colocar os recursos economizados: saúde, educação, estradas, saneamento, tecnologia, segurança, infraestrutura, qualificação profissional e atração de empresas.
4. GERAÇÃO DE EMPREGOS
O desenvolvimento começa pela oportunidade
Nenhum país melhora de forma permanente a vida de sua população sem uma economia capaz de produzir empregos. O Brasil precisa valorizar quem produz, investe, abre uma pequena empresa, mantém um comércio, emprega, exporta ou trabalha por conta própria.
A primeira obrigação do Estado não deve ser escolher vencedores. Deve ser criar condições para competir: reduzir burocracia, simplificar licenças, dar segurança jurídica, melhorar infraestrutura, qualificar trabalhadores e aproximar universidades das empresas.
Minas Gerais possui localização privilegiada, universidades importantes, agropecuária forte, indústria, mineração e uma grande rede de cidades médias. Precisamos transformar essas vantagens em empregos.
5. INOVAÇÃO E TECNOLOGIA
Universidade, empresa e cidade precisam conversar
No século XXI, riqueza também nasce do conhecimento: software, biotecnologia, inteligência artificial, agricultura digital, robótica, novos materiais, tecnologia médica, automação e energia.
Precisamos fortalecer parques tecnológicos e aproximar universidades, centros de pesquisa, empresas e governos. O desafio é transformar conhecimento em empresas, patentes, produtos, empregos e desenvolvimento regional.
6. MENOS BUROCRACIA
O cidadão não pode trabalhar para o Estado
O Estado foi criado para servir ao cidadão. Muitas vezes, porém, o cidadão passa horas servindo à burocracia do Estado: documentos repetidos, cadastros repetidos, filas, formulários e certidões.
O princípio deve ser simples: se o governo já possui determinada informação, não deveria obrigar o cidadão a entregá-la novamente. Menos papel, menos carimbo, menos fila, mais integração de dados e mais transparência.
7. CIDADES INTELIGENTES
Governar também é trabalhar com dados
Cidades inteligentes não são cidades cheias de telas. São cidades que utilizam informação para tomar decisões melhores. Dados podem ajudar a identificar acidentes, enchentes, vias deterioradas, demanda por transporte, criminalidade, falta de medicamentos, evasão escolar e perdas de água.
Minha formação em Gestão Pública com ênfase em Cidades Inteligentes reforçou uma convicção da Geografia: não existe boa política pública sem compreender o território.
8. ELEIÇÃO ÚNICA A CADA SEIS ANOS
Menos campanha permanente, mais tempo de gestão
O Brasil realiza grandes eleições a cada dois anos. Essa frequência cria uma espécie de campanha eleitoral permanente. A proposta é estudar eleições municipais, estaduais e nacionais realizadas simultaneamente a cada seis anos, com mandatos de igual duração.
O objetivo seria ampliar o tempo destinado à administração, reduzir custos eleitorais e diminuir a pressão permanente das disputas políticas sobre a gestão. Uma mudança assim exigiria amplo debate constitucional e regras de transição.
9. PARLAMENTARISMO
Um governo não precisa depender de uma única pessoa
O presidencialismo brasileiro concentra enorme expectativa em uma única figura. O parlamentarismo oferece outra lógica: o governo nasce de uma maioria construída no Parlamento e precisa manter apoio político para continuar governando.
Considero esse sistema mais coletivo e baseado na construção de maiorias. Qualquer mudança no sistema de governo, porém, precisaria de amplo debate e legitimidade popular.
10. VOTO DISTRITAL
Cada região precisa saber quem é seu representante
No modelo atual, candidatos a deputado federal disputam votos em um estado enorme. Isso encarece campanhas e distancia o eleitor do representante. No voto distrital, o território é dividido em distritos e cada região escolhe diretamente seu representante.
O eleitor passa a saber quem cobrar. O parlamentar passa a ter um território claramente associado ao seu mandato. Isso pode aproximar representante e representado e reduzir o custo das campanhas.
11. EMBRAPA INTERNACIONAL
O Brasil pode exportar inteligência
Poucas instituições representam tanto a capacidade científica brasileira quanto a Embrapa. O desenvolvimento da agricultura tropical transformou áreas antes consideradas pouco produtivas em algumas das regiões agrícolas mais eficientes do planeta.
A proposta é discutir um braço internacional capaz de transformar tecnologia brasileira em ativo global, por meio de licenciamento, agricultura tropical, biotecnologia, bioinsumos, agricultura digital, inteligência artificial, genética, adaptação climática e segurança alimentar.
A Embrapa pública permaneceria pública e os ativos científicos estratégicos nacionais precisariam ser protegidos. O objetivo é valorizar economicamente aquilo que o Brasil levou décadas para construir.
12. REFORMA DO ESTADO
Antes de criar um novo imposto, precisamos perguntar onde o dinheiro está sendo gasto
Antes de pedir mais ao cidadão, o Estado precisa mostrar que fez sua parte. Isso significa revisar estruturas administrativas, eliminar sobreposições, digitalizar processos, profissionalizar a gestão e medir resultados.
Todo programa público deveria responder: quanto custa, quantas pessoas atende, qual resultado entrega e se existe uma forma mais eficiente de fazê-lo. Programas que funcionam devem ser fortalecidos; os que não funcionam, corrigidos ou encerrados.
13. O FIM DO ESTADO DO PAPEL
Governo digital por padrão
Durante décadas, a administração pública foi construída em torno de documentos físicos, protocolos, carimbos e pastas. Hoje carregamos computadores no bolso, mas o cidadão ainda precisa provar ao Estado informações que o próprio Estado possui.
Serviços públicos devem ser digitais sempre que possível, com acompanhamento pelo telefone, prazos claros, responsáveis identificados, notificações e avaliação do atendimento. Digitalização também amplia transparência e rastreabilidade.
14. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO SERVIÇO PÚBLICO
O governo também precisa entrar no século XXI
A inteligência artificial pode ajudar a identificar fraudes, analisar compras públicas, detectar contratos fora do padrão, prever demandas por medicamentos, identificar evasão escolar, analisar acidentes, mapear áreas de risco e acelerar atendimento.
Isso deve vir acompanhado de proteção de dados, auditoria, transparência, supervisão humana e segurança da informação. Ignorar a tecnologia apenas aumentará a distância entre governo e sociedade.
15. SEGURANÇA PÚBLICA
O cidadão precisa recuperar o direito de viver sem medo
Não existe liberdade plena quando o cidadão tem medo de sair de casa. Segurança pública precisa voltar a ocupar posição central entre as prioridades nacionais.
O combate moderno exige inteligência, integração entre polícias, investigação financeira, controle de fronteiras, sistema prisional organizado e cooperação entre União e estados. Não basta prender quem está na ponta: é preciso seguir o dinheiro e desmontar redes.
16. CRIME ORGANIZADO COMO EMPRESA
A resposta precisa atingir patrimônio e financiamento
Grandes organizações criminosas funcionam cada vez mais como empresas: têm logística, contabilidade, hierarquia, fornecedores, mercados e fontes de receita.
O Estado precisa integrar inteligência policial e financeira, Receita Federal, controle de fronteiras, sistema bancário, Ministério Público, polícias estaduais e Polícia Federal. Mais importante do que prender integrantes substituíveis é impedir que a organização continue se financiando.
17. EDUCAÇÃO
A escola precisa preparar para a vida real
O jovem precisa sair da escola sabendo interpretar um texto, escrever com clareza, compreender matemática, trabalhar com tecnologia, interpretar dados e conhecer noções básicas de economia, direitos e deveres.
Também precisamos recuperar a importância da formação profissional. Ensino técnico não pode ser tratado como opção inferior. Eletricistas, mecânicos, programadores, técnicos agrícolas, técnicos em alimentos, profissionais de logística e técnicos de enfermagem são essenciais para o desenvolvimento.
18. UNIVERSIDADE E DESENVOLVIMENTO
Conhecimento precisa encontrar caminho até a sociedade
Universidades brasileiras produzem conhecimento de excelente qualidade, mas parte dele encontra dificuldade para chegar ao mercado. Precisamos aproximar universidade, empresa e governo.
Parques tecnológicos, incubadoras, fundos de inovação e parcerias para pesquisa aplicada podem ajudar a transformar pesquisa em produtos, empresas, patentes e empregos.
19. SAÚDE REGIONALIZADA
Nem toda cidade precisa ter tudo. Toda pessoa precisa ter acesso.
Não é economicamente possível construir hospitais altamente especializados em cada pequeno município. É possível, porém, organizar regiões capazes de oferecer atendimento integrado.
Precisamos fortalecer polos regionais, organizar transporte sanitário, integrar prontuários, utilizar telemedicina e compartilhar equipamentos. A saúde precisa funcionar como rede.
20. UM PRONTUÁRIO ÚNICO PARA O CIDADÃO
Informação segura pode reduzir custo e risco
Com autorização adequada e respeito à privacidade, profissionais de saúde deveriam conseguir acessar informações essenciais do paciente: medicamentos, alergias, exames, cirurgias e diagnósticos anteriores.
Isso reduz exames repetidos, informações perdidas e riscos assistenciais.
21. INFRAESTRUTURA
Desenvolvimento passa pela estrada, energia e conectividade
Minas Gerais está no centro do Brasil, mas localização sem infraestrutura perde valor. Estradas ruins aumentam fretes, acidentes, desgaste e afastam investimentos.
Rodovias, ferrovias, internet, energia, saneamento e logística são parte da competitividade regional.
22. ZONA DA MATA
Precisamos recuperar a capacidade de disputar investimentos
A Zona da Mata possui localização estratégica, universidades, hospitais, tradição industrial, serviços, agronegócio e mão de obra. Precisamos transformar essas vantagens em estratégia regional.
Juiz de Fora não pode pensar apenas dentro dos próprios limites municipais. Seu desenvolvimento depende das cidades ao redor, e o desenvolvimento regional depende de integração.
23. JUIZ DE FORA COMO POLO DE INOVAÇÃO
Uma economia de maior valor agregado
Juiz de Fora reúne universidade federal, instituições privadas, hospitais, centros de formação, localização, mercado consumidor e história industrial.
A cidade pode aprofundar sua integração com empresas de software, inteligência artificial, biotecnologia, tecnologia médica, logística, indústria de alimentos e serviços de alta especialização.
24. FEDERALISMO
Brasília não pode decidir tudo
O Brasil é oficialmente uma federação, mas existe grande concentração de recursos e decisões no governo federal. Precisamos discutir uma distribuição mais equilibrada.
Quanto mais distante estiver quem decide daquele que sofre o problema, maior o risco de erro. Federalismo significa distribuir poder e também responsabilidade.
25. EMENDAS PARLAMENTARES
O orçamento não pode virar instrumento de poder individual
O crescimento das emendas transformou a relação entre Executivo e Legislativo. Deputado não deveria exercer papel de prefeito nem senador de secretário de obras.
A função central do parlamentar deve ser legislar, fiscalizar, debater o orçamento e avaliar políticas públicas. Recursos precisam seguir planejamento técnico e prioridades transparentes.
26. FUNDO ELEITORAL
Democracia não precisa significar campanhas milionárias
As eleições brasileiras se tornaram extremamente caras. Grandes estruturas financeiras criam barreiras para novos candidatos e ajudam a perpetuar quem já está dentro do sistema.
Campanhas deveriam ser mais baratas, digitais, fiscalizáveis e com limites que permitam competição real. Ideias precisam voltar a competir com dinheiro.
27. O VOTO DISTRITAL COMO REDUTOR DE CUSTOS
Territórios menores, campanhas mais próximas
No sistema distrital, o candidato concentra sua campanha na região que pretende representar. Isso pode reduzir viagens, equipes, material e custos de comunicação.
Ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade do eleito, porque a região sabe exatamente quem cobrar.
28. AGRICULTURA
Quem produz alimento precisa de respeito e tecnologia
O agronegócio brasileiro é uma das maiores conquistas econômicas e científicas do país, mas reúne realidades diferentes: grandes produtores, agricultura familiar, cooperativas, pecuária, leite, café e hortifrutigranjeiros.
Tecnologia deve chegar a todos: sensores, dados climáticos, irrigação inteligente, gestão digital, genética, bioinsumos e técnicas de manejo. A produtividade é uma das melhores formas de aumentar renda sem ampliar a área ocupada.
29. EMBRAPA INTERNACIONAL — EXPANSÃO
Uma empresa brasileira de conhecimento para o mundo
O Brasil tradicionalmente exporta minério, café, soja, carne e celulose. Podemos continuar exportando tudo isso e também exportar inteligência.
A Embrapa Internacional poderia atuar em países da África, América Latina e regiões tropicais da Ásia, ajudando a ampliar a produção de alimentos e gerando receita para financiar novos ciclos de ciência brasileira.
30. MEIO AMBIENTE
Desenvolvimento e preservação precisam andar juntos
Produzir ou preservar é uma falsa escolha. Tecnologia permite produzir mais usando melhor recursos, reduzir consumo de água, reaproveitar resíduos e proteger nascentes.
Desenvolvimento sustentável precisa ser economicamente viável e ambientalmente responsável.
31. ÁGUA
Um dos maiores patrimônios de Minas
Proteger nascentes é segurança hídrica, agricultura, indústria, abastecimento urbano e energia. Precisamos de políticas que incentivem a preservação e valorizem quem protege recursos hídricos.
Municípios precisam cuidar de áreas de recarga, saneamento e recuperação de rios.
32. SANEAMENTO
Política pública que começa debaixo da terra
Rede de água, esgoto, drenagem e tratamento são infraestrutura essencial. Muitas das obras mais importantes são invisíveis, mas reduzem doenças, protegem rios e melhoram a qualidade de vida.
Cidades inteligentes precisam mapear redes, identificar perdas, monitorar consumo e planejar drenagem.
33. PREVENÇÃO DE ENCHENTES
A cidade precisa conhecer a água antes da chuva
Enchentes começam anos antes da chuva: ocupação inadequada, impermeabilização, falta de drenagem, assoreamento, lixo e ausência de planejamento.
Cidades precisam mapear áreas de risco, monitorar chuvas, manter alertas, controlar ocupação e investir em drenagem. Prevenção custa menos do que reconstrução.
34. HABITAÇÃO E PLANEJAMENTO URBANO
Construir moradia é construir cidade
Uma família que mora longe de tudo paga um custo invisível em transporte, tempo e dificuldade de acesso ao emprego, escola e saúde.
Habitação precisa estar conectada ao planejamento urbano, com água, esgoto, transporte, escolas, unidades de saúde, comércio e oportunidades.
35. MOBILIDADE
O bem mais precioso do cidadão é o tempo
Uma pessoa que passa três horas por dia no trânsito perde uma parte enorme da própria vida. Mobilidade urbana não é apenas ônibus: é planejamento territorial.
A cidade precisa aproximar moradia, trabalho e serviços, melhorar transporte coletivo e utilizar dados para ajustar linhas e horários.
36. GESTÃO POR INDICADORES
O que não é medido dificilmente é melhorado
O setor público precisa saber quanto custa cada atendimento, quanto demora cada serviço, quanto custa uma vaga escolar, quanto custa um exame e quanto tempo um processo permanece parado.
Indicadores não substituem pessoas; ajudam pessoas a tomar decisões melhores. Essa é uma cultura que aprendi trabalhando com planejamento, ERP, estoque e gestão na iniciativa privada.
37. TRANSPARÊNCIA EM TEMPO REAL
Informação pública precisa ser compreensível
O cidadão deveria conseguir visualizar receitas, despesas, contratos, pagamentos, obras atrasadas, estoques de medicamentos e filas de serviços por meio de painéis claros.
Transparência não pode significar despejar milhares de documentos incompreensíveis. Gráficos, mapas, indicadores e dados abertos precisam aproximar o cidadão da fiscalização.
38. COMPRAS PÚBLICAS MAIS INTELIGENTES
Pequenas diferenças de preço se tornam milhões
Governos compram medicamentos, alimentos, combustível, computadores, veículos, serviços, materiais e obras. Sistemas inteligentes podem comparar preços, identificar valores fora do padrão e detectar concentração de fornecedores.
Uma administração eficiente compra melhor. Cada real economizado pode retornar para serviços públicos.
39. CONSÓRCIOS REGIONAIS
Cooperação antes mesmo da grande reforma
Nem toda mudança exige imediatamente uma reforma constitucional. Municípios já podem compartilhar saúde, resíduos, compras, máquinas, tecnologia e serviços especializados por meio de consórcios.
Essa lógica pode funcionar como etapa de transição para uma administração regional mais integrada.
40. MINAS 100 — COMO COMEÇAR
A reforma territorial precisa começar pelo debate
O Minas 100 não deve nascer como imposição, mas como estudo. Universidades, geógrafos, economistas, administradores, prefeitos, vereadores, cidadãos e especialistas precisam analisar o território mineiro.
Quais municípios possuem baixa capacidade administrativa? Quais já funcionam economicamente integrados? Quanto custam as estruturas separadas? Como preservar identidade e representação? Essas perguntas precisam ser respondidas com dados.
41. AS CIDADES NÃO DESAPARECEM
Identidade não depende de prefeitura própria
Uma comunidade não deixa de existir porque muda sua organização administrativa. Bairros, distritos, nomes, igrejas, clubes, festas e identidades permanecem.
O debate é outro: quantas estruturas políticas precisamos sustentar para prestar bons serviços?
42. MENOS POLÍTICOS, MAIS SERVIÇOS
Cada economia precisa virar entrega
Uma reorganização territorial poderia reduzir significativamente o número de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e estruturas administrativas.
O objetivo é transferir recursos da estrutura política para médicos, professores, creches, infraestrutura, segurança, tecnologia, saneamento e investimento.
43. UMA ADMINISTRAÇÃO REGIONAL PROFISSIONAL
Mais capacidade técnica
Municípios regionais maiores podem possuir maior capacidade para contratar engenheiros, economistas, geógrafos, urbanistas, especialistas em dados, profissionais de tecnologia e planejadores.
A política define prioridades, mas a execução precisa ser cada vez mais técnica.
44. SERVIDOR PÚBLICO
Valorizar quem entrega resultados
Uma reforma do Estado não pode tratar servidor público como inimigo. Existem excelentes profissionais trabalhando em estruturas antigas e com sistemas ruins.
Modernizar o Estado significa oferecer tecnologia, capacitação, metas claras, avaliação justa e reconhecimento. Ao mesmo tempo, responsabilidade e mecanismos contra baixo desempenho persistente e irregularidades são indispensáveis.
45. ESTADO E MERCADO
A pergunta deve ser: o que funciona melhor?
Existem áreas onde o mercado funciona muito bem, áreas em que o Estado é indispensável e situações em que ambos podem trabalhar juntos.
A discussão deve ser prática: qual modelo entrega melhor resultado, custa menos, garante acesso, produz inovação e protege o cidadão?
46. EMPREENDEDORISMO
Quem abre uma empresa está criando uma oportunidade
O pequeno empreendedor precisa ser visto como parceiro do desenvolvimento. Padarias, restaurantes, oficinas, pequenas fábricas, empresas de tecnologia, produtores e comércios criam empregos e assumem riscos.
O Estado deveria facilitar abertura, licenciamento proporcional ao risco, tributação compreensível, serviços digitais e segurança jurídica.
47. QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL LIGADA À DEMANDA
Formar para as oportunidades reais
Cursos profissionais precisam dialogar com aquilo que as empresas procuram. Se cresce logística, formar logística. Se cresce indústria de alimentos, formar técnicos em alimentos. Se existe demanda por programadores, ampliar formação tecnológica.
Formação sem emprego é desperdício. Emprego sem profissional qualificado é oportunidade perdida.
48. DESENVOLVIMENTO BASEADO EM VOCAÇÕES
Nem toda cidade precisa tentar ser tudo
Algumas regiões têm vocação agrícola, outras industrial, turística, tecnológica, logística ou universitária. Planejamento regional deve identificar essas vantagens.
Desenvolvimento não significa copiar o vizinho. Significa descobrir aquilo que uma região pode fazer excepcionalmente bem.
49. TURISMO
Rotas, circuitos e experiências
Minas Gerais possui história, gastronomia, natureza, cidades históricas, montanhas e cultura. O turismo pode gerar milhares de pequenos negócios.
O visitante não pensa em limites municipais; pensa em rotas e experiências. Por isso, turismo também exige visão regional.
50. PRESTAÇÃO DE CONTAS
Democracia não termina na urna
Todo mandato deveria publicar periodicamente projetos apresentados, votos, presença, gastos, resultados, compromissos assumidos e situação de cada proposta.
O eleitor precisa conseguir comparar promessa e entrega.
51. POR QUE ESCREVER ESTE LIVRO?
Política precisa voltar a discutir propostas
Algumas ideias apresentadas aqui podem parecer ousadas. Talvez precisem ser modificadas. É exatamente por isso que devem ser debatidas.
Uma proposta que não suporta perguntas não deveria virar política pública. Meu objetivo é colocar ideias na mesa.
52. UMA EXPERIÊNCIA ENTRE DOIS MUNDOS
Setor privado e setor público
Minha trajetória profissional me permitiu conhecer a iniciativa privada e a administração pública. Trabalhei com expansão, gestão, estratégia e planejamento; também atuei como professor e acompanhei o funcionamento do Legislativo e do Executivo municipal.
Há coisas que o setor público pode aprender com empresas: planejamento, indicadores, controle, tecnologia e avaliação. E existem responsabilidades públicas que empresas não substituem.
53. O GEÓGRAFO E A POLÍTICA
Território, redes e regiões
A Geografia não estuda apenas mapas. Estuda população, economia, transportes, cidades, ambiente, redes, regiões e fluxos.
Quando observo Minas com 853 municípios, vejo também regiões conectadas, cidades dependentes umas das outras e pessoas atravessando fronteiras municipais diariamente. A política pensa muito em limites; a vida real funciona em redes.
54. O GESTOR E A POLÍTICA
Governar é escolher prioridades
Nenhuma organização possui recursos infinitos. Nem empresa, nem família, nem governo. Gestão significa decidir o que é essencial, o que funciona, o que precisa mudar e o que pode ser eliminado.
Governar é administrar escolhas.
55. A MODERNIDADE NÃO PEDE LICENÇA
O futuro já começou
A inteligência artificial, a automação, a economia digital, as mudanças climáticas e a competição internacional não vão esperar o Brasil organizar seu debate político.
A população envelhece, profissões mudam e empresas se transformam. Precisamos preparar as instituições para um mundo que já começou.
56. UMA NOVA RELAÇÃO ENTRE CIDADÃO E POLÍTICA
A sociedade agora pode pesquisar
Hoje qualquer cidadão pode consultar formação, entrevistas, redes sociais, patrimônio declarado, projetos e processos legislativos. Pode também pedir a uma inteligência artificial argumentos favoráveis e contrários a determinada proposta.
Isso é positivo. Políticos precisam estar preparados para uma sociedade que pesquisa e compara.
57. PESQUISE ANTES DE ESCOLHER
Tecnologia como ferramenta de informação
Não escolha qualquer candidato apenas porque viu uma propaganda. Pesquise a história, a formação, o trabalho, as propostas e também as críticas. Compare e faça perguntas.
Hoje pedimos ajuda à inteligência artificial para decidir entre duas cafeteiras. Podemos usar a mesma ferramenta para compreender melhor uma eleição, sem entregar a uma máquina uma decisão que continuará sendo humana.
58. DEZ PRINCÍPIOS
Uma síntese desta visão
O dinheiro público pertence ao cidadão. O Estado precisa medir resultados. Tecnologia deve simplificar a vida. Trabalho e empreendedorismo geram desenvolvimento. Educação precisa preparar para o mundo real.
Segurança é condição para a liberdade. Municípios precisam cooperar regionalmente. Ciência brasileira precisa gerar riqueza brasileira. Representantes precisam estar próximos dos representados. Estruturas públicas existem para servir à sociedade.
59. AS PRINCIPAIS PROPOSTAS
Um mapa das ideias
Minas 100: estudar a reorganização dos 853 municípios mineiros em aproximadamente 100 administrações regionais, preservando identidades locais como distritos.
Embrapa Internacional: criar um braço internacional capaz de comercializar tecnologia agrícola brasileira no exterior, protegendo ativos científicos estratégicos.
Voto distrital, eleição única a cada seis anos, parlamentarismo, governo digital, inteligência artificial, desenvolvimento econômico, cidades inteligentes e reforma do Estado completam os principais eixos.
60. NÃO EXISTE PROPOSTA SEM PERGUNTAS
Ideias precisam ser testadas
Quanto custa? Como implementar? Quem será afetado? Qual legislação precisa mudar? Existem experiências semelhantes? Quais riscos existem? Qual seria o período de transição?
Essas perguntas não enfraquecem uma ideia. Tornam a proposta melhor.
61. 4588 IDEIAS
Um número pode identificar uma campanha; ideias podem durar gerações
O número de uma candidatura dura uma eleição. Uma ideia pode durar gerações. Quero que o 4588 esteja associado também a uma proposta de debate: um país mais simples, um Estado mais eficiente, municípios mais fortes, tecnologia a serviço das pessoas, ciência transformada em desenvolvimento e menos burocracia.
Mais liberdade para produzir. Mais responsabilidade para governar.
CONCLUSÃO
Ideias para uma política diferente
Não acredito que exista uma pessoa capaz de resolver os problemas do Brasil sozinha. Países são construídos por instituições, empresas, trabalhadores, professores, cientistas, empreendedores, servidores, famílias e comunidades.
Este livro não apresenta uma promessa de solução mágica. Apresenta uma forma de enxergar o Estado: mais regional, tecnológico, eficiente, transparente, próximo do cidadão e disposto a questionar estruturas antigas.
O Minas 100 pergunta por que sustentar centenas de estruturas políticas duplicadas se podemos estudar regiões administrativas mais fortes. A Embrapa Internacional pergunta por que exportar apenas o que produzimos no campo se também podemos exportar o conhecimento que nos tornou capazes de produzir.
O voto distrital questiona a distância entre eleitor e representante. A eleição única questiona a campanha permanente. O parlamentarismo questiona a excessiva personalização do poder. As cidades inteligentes questionam decisões sem dados. A reforma do Estado questiona estruturas que permanecem apenas porque sempre existiram.
Se começássemos o Brasil de hoje do zero, com a tecnologia, o conhecimento e os recursos atuais, construiríamos exatamente o mesmo Estado que temos? Provavelmente não. Então podemos melhorá-lo.
ELY MACHADO
Geógrafo • Gestão Pública • Cidades Inteligentes • Gestão Ambiental • Políticas Públicas • Educação
ELY MACHADO 4588 • DEPUTADO FEDERAL
CNPJ 68.455.125/001-40